lamento essa sua vontade de querer que eu seja apenas esse pronome possessivo que você enche a boca pra falar. 
"Sentia vontade de chorar, mas não saía lágrima alguma. Era só uma espécie de tristeza, de náusea, uma mistura de uma com a outra, não existe nada pior. Acho que você sabe o que quero dizer, todo mundo, volta e meia, passa por isso, só que comigo é muito freqüente, acontece demais."
Meu signo é câncer. Não posso fugir do que sou. Sou emoção. Sou flor da pele. Vivo à dor da pele, vivo a dor: na pele. Levo muito a sério os excessos, os gritos. Absorvo o mundo – o meu redor – com sensibilidade extrema. E me calo. E isso é extremamente desgastante. Tudo se tornou delicado demais para ser dito, sentido. Tudo parece romper a qualquer momento, a qualquer palavra, a qualquer gesto. Tudo passou a ser um eterno desconforto. Sim, sou silêncio. Nasci chorando, provavelmente. A parteira é testemunha. Mas a vida tem me criado em silêncio. As palavras me condenam. Se eu me orgulho? Claro que não! Que ser humano em sã consciência gostaria de passar a vida no seu próprio mundo, refugiado no seu próprio corpo, engolido pelo próprio orgulho, se debatendo com o próprio ego, procurando uma companhia solitária na solidão dos próprios órgãos? Ora me pego dialogando com as minhas artérias, que estão ficando entupidas de rancor. Outrora, me pego questionando o meu fígado, que já está bêbado de agonia. Por vezes, me pego tentando entender o meu coração, que já começa a bater mais devagar. E quase se apaga. Noutras, desabafo com os meus pulmões, que, confesso, também estão perdendo o fôlego, estão ficando sem respostas: sem ar: sem argumento. Entendo que o sangue é como um rio vermelho que escorre, e distribui silenciosamente pelo nosso corpo todo o nosso passado, nossas emoções, nossas mágoas, nossos medos, nossos acertos, nossos erros, nossos amores – e desamores, claro. Sim. Somos reflexos do que fomos. E continuaremos assim até ousar sair da inércia. Até criar coragem e levantar esse véu invisível que nos cega e não nos deixa enxergar a beleza e a grandeza do mundo: do nosso mundo. Até dar um passo à frente sem medo de deixar que algo, importante ou não, fique para trás. Tenho uma vida inteira pela frente. Preciso me consertar, me entender e seguir meu destino. Não posso mais me dar o privilégio de me afundar em problemas que nem sempre são meus, que nasceram bem antes de eu nascer. Também sou consequência do passado. Também tenho incontáveis dores, que foram ficando por baixo dos danos. Também tenho traumas insuperáveis, pelos quais me entreguei de corpo e calma. Mas também sei que sou humano: também sou uma fonte inesgotável de brilho.
O que faz do inferno o inferno não é o calor insuportável, os gritos, os demônios se arrastando pelo fogo (isso é muito bom, perto da Terra). O inferno é a repetição. De uma coisa insuportável ou comum, mas o inferno é somente a repetição. Acordar todos os dias com o mesmo medo, ir dormir todas as noites com a certeza óbvia de que o próximo dia será absolutamente igual ao último. Todas as manhãs pensar que a má fase vai passar, e todas as noites ter certeza que não. O inferno é se perguntar todos os dias o que aconteceria se tivesse dito, se tivesse feito, se tivesse tido coragem, se. O inferno é chorar todos os dias pela mesma dor, sentir a mesma falta, o mesmo vazio infinito como o espaço. Se o diabo existir, e for esperto, vai pegar os piores momentos da sua vida, as piores esperas, e repetir infinitamente. Infinitamente a fila do banco, o enterro da sua mãe, o medo de um estupro, o amor forjado, a frustração. Infinitamente os dias iguais, esquecíveis, as repetidas promessas de fim de ano, iguais e rasas. Verás em milhões de ângulos e tons diferentes os olhos desesperados de quem você feriu.
'O prazer delas era falar em trepada o tempo todo. Eu também gosto de trepar, mas não é minha religião. Trepar tem muita coisa de ridículo e trágico. As pessoas parecem não saber direito como lidar com a coisa. Por isso, transformam o sexo num brinquedo. Um brinquedo que destrói gente.'

"Tem dias que eu fico pensando na vida
E sinceramente não vejo saída
Como é por exemplo que dá pra entender
A gente mal nasce e começa a morrer."

Vinicius de Moraes/Toquinho


“Gostaria de te desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente. Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes. E que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade.”
— Carlos Drummond de Andrad.
‎'Acho que deveríamos encher a cara hoje, depois a gente fala mal dos inúteis que se acham super importantes.'



‎'Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos que jamais poderiam compreendê-la.'
Desde o começo era assim, tudo sem graça. Um poeta louco, excluído pela massa. A lua, o abajur e a calçada um aconchego. Rebelde sem causa, se prendia em um medo. Um plano agora é o que ele precisava. Chamado maluco enquanto planejava, garotas, carros, casas, ele não quis. Partiu pelo seu sonho agora era feliz. Mas voltou, buscou o seu amor. Então sorriu. Pro céu ele partiu. Saída perfeita pra tal realidade. Um gole e mereça a sua liberdade. É o doce veneno, o portal do submundo; Voe e desprenda desse projeto imundo. A alma está liberta do seu corpo. Trilhando um caminho completamente novo. Caiu na armadilha apodrece no formol. Foi enganado pelo brilho do sol.
Frágil — você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal, de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse.Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos, começa a passar.



"Eu me larguei.
Eu larguei o blues, baby. Eu larguei o blues e o cigarro. 
Me deixe te matar dessa vez, como matei o vinho, o conhaque, a sobremesa do bar da esquina. Me deixe lamber seu suor só dessa vez. Não tome banho logo depois do sexo, não guarde o gozo pra mais tarde. Cuspa em mim todos os descontroles que você disfarça. Eu não quero que cuide de mim (mais) 
Eu larguei o último cara com quem estive porque ele fumava pouco, mas você não fuma, baby. Não tenho razões pra te largar. Existe razão mais medíocre do que essa para largar alguém? Quase te digo que vou embora exatamente por não ter porque ir. Você acreditaria? 
Filho da puta, isso foi uma metáfora.
Eu sou uma metáfora e todos os meus cigarros.
A minha maconha tão exposta.
Meu sexo tão vulgar.
Eu larguei o blues, baby. Eu perdi a música, o rumo, a casa, o telefone.
Eu sou uma poesia falida e você nunca quis me ler.
Meus cigarros me faziam bem. Quem me fez mal foi você, com todo esse cuidado sigiloso e atencioso.
Eu larguei o cigarro, baby.
E a mim.
A mim."
Dizem que tô louco
Por te querer assimPor pedir tão poucoE me dar por felizEm perder noites de sonoSó pra te ver dormirE me fingir de burroPra você sobressair...
“Alguém me perguntou se eu conhecia você, um milhão de memórias passaram pela minha mente e eu sussurrei: - Não mais.”
— Tati Bernardi.
Tenha dó, não mereces o afago nem de Deus nem do Diabo, quanto mais da mão que um dia eu dei pra ti...