"Um dia, me disseram que eu não valho um toco de cigarro. Quem disse comeu o pão que o diabo amassou com o rabo na minha mão. Mas estava ciente, e certo. Eu sou uma máquina trituradora como a de Another Brick In The Wall. Antes de comer, sempre aviso. Na verdade, está escrito na minha testa “Não meta a merda do nariz!” em caps lock. Mas as pessoas são teimosas, e a curiosidade humana é incrívelmente poderosa.
Passo dias triturando. Todos os dias. Às vezes, até pessoas que eu nem conheço, mas que ultrapassaram o aviso. Às vezes até personalidades maiores que a minha. Às vezes até corações cinco vezes mais nojentos que o meu. Às vezes até almas mais acorrentadas que a minha. Às vezes até malditos seres humanos que eu amo. Não sou feliz assim. Entre meus beijos lambidos e meus gozos contorcidos, o que mais se lê é o meu pedido de ficar sozinha. A culpa não é minha de não possuir paz. A culpa é de todo mundo, até minha.
Um dia, me disseram que eu não valho um toco de cigarro. Porque fui amassada no medo de colocar fogo na cidade. Porque, depois do trago e da fumaça rala, desfaleci. Porque fui usada, e gostei disso."